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- Para o Secretário-executivo de Pesca e Agricultura, da Secretaria Estadual da Produção Rural (Sepror), Geraldo Bernadino, a ocorrência da vazante nos rios do Amazonas desencadearia uma grande redução na população de algumas espécies de peixes, principalmente, as residentes em águas não perenes, como os lagos. “Há muito tempo não ocorre uma seca como essa na rede fluvial do Estado, e isso pode prejudicar bastante a produção dos peixes daqui a três anos. Isso pode acontecer, porque daqui a alguns dias entraremos no período de reprodução dos peixes (piracema); pois milhares de peixes, de algumas espécies, que iriam se multiplicar, já morreram nos lagos e igarapés”, argumentou. A mesma idéia defendeu o diretor de Fauna e Recursos Pesqueiros do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Rômulo Melo. Segundo ele, a mortandade de toneladas de peixes registrada com a vazante, possibilitaria um forte impacto ambiental na produção pesqueira das espécies migradoras. “Existem grandes indícios de que a morte desses milhares de
peixes vá produzir um forte impacto ambiental em algumas espécies
migradoras que se alojam nos lagos. Contestação Mas não é isso o que pensa o pesquisador Geraldo Mendes.
Para o especialista em peixes da Amazônia há pelo menos 20 anos é
responsável pela obra “Peixes da Beira do Rio Tocantins. “Em primeiro lugar é importante que entendamos o processo
dinâmico e diversificado do ecossistema dos rios na Amazônia.
Com a morte dos peixes nos lagos, que são espécies predominantemente
carnívoras, como piranha, surubim e acará-açu, os alevinos (filhotes
de peixes) das espécies residentes nos grandes rios como Amazonas e
Madeira, poderão se reproduzir nos lagos e igarapés, sem medo de
serem devorados pelos carnívoros dos lagos. Questionado sobre a possibilidade das águas dos igarapés e lagos onde existem restos de carne de peixe em estado de putrefação estarem contaminadas e comprometerem a pesca nesses rios, como afirmaram alguns especialistas, Geraldo argumenta: “Não existe essa possibilidade. As bactérias existentes nessas águas são espécies limpadoras por excelência, ou seja, elas na realidade trabalham na redução dos detritos, e não comprometerão a qualidade dos outros peixes”, afirmou. |
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