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Peixes - Estoques serão renovados

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Fonte :Paula Litaiff
Amazonas Em Tempo
20 de Outubro de 2005

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Manaus - Contrariando todas as previsões que especulavam uma grande redução na produção pesqueira do Amazonas nos próximos três anos, por conta da vazante, o pesquisador do Centro de Pesquisa de Biologia Aquática (CPBA) do Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (INPA), Geraldo Mendes afirmou, em entrevista ao Em Tempo, que a mortandade dos peixes registrada nos igarapés e nos lagos poderá, sim, aumentar o número de todas as espécies de peixes na rede fluvial do Estado.

Para o Secretário-executivo de Pesca e Agricultura, da Secretaria Estadual da Produção Rural (Sepror), Geraldo Bernadino, a ocorrência da vazante nos rios do Amazonas desencadearia uma grande redução na população de algumas espécies de peixes, principalmente, as residentes em águas não perenes, como os lagos.

“Há muito tempo não ocorre uma seca como essa na rede fluvial do Estado, e isso pode prejudicar bastante a produção dos peixes daqui a três anos.  Isso pode acontecer, porque daqui a alguns dias entraremos no período de reprodução dos peixes (piracema); pois milhares de peixes, de algumas espécies, que iriam se multiplicar, já morreram nos lagos e igarapés”, argumentou.

A mesma idéia defendeu o diretor de Fauna e Recursos Pesqueiros do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Rômulo Melo.  Segundo ele, a mortandade de toneladas de peixes registrada com a vazante, possibilitaria um forte impacto ambiental na produção pesqueira das espécies migradoras.

“Existem grandes indícios de que a morte desses milhares de peixes vá produzir um forte impacto ambiental em algumas espécies migradoras que se alojam nos lagos. 

Pois mesmo com o retorno da chuva, a recuperação do nível das águas será lenta, dificultando a migração dos peixes das águas paradas para a reprodução nos grandes rios. 

Ou seja, além dos que já estão mortos, muitos podem morrer no caminho do percurso para a piracema”, ressaltou.

Contestação

Mas não é isso o que pensa o pesquisador Geraldo Mendes.  Para o especialista em peixes da Amazônia há pelo menos 20 anos é responsável pela obra “Peixes da Beira do Rio Tocantins. 

Vinte anos depois da Usina Hidrelétrica do Rio Tocantins”, a vazante dos rios da Amazônia irá desencadear uma grande produção das espécies residentes nos grandes rios, entre elas os curimatídeos que compreende os peixes mais consumido entre o povo amazonense, como o jaraqui, branquinha, matrinxã e o curimatá.

“Em primeiro lugar é importante que entendamos o processo dinâmico e diversificado do ecossistema dos rios na Amazônia.  Com a morte dos peixes nos lagos, que são espécies predominantemente carnívoras, como piranha, surubim e acará-açu, os alevinos (filhotes de peixes) das espécies residentes nos grandes rios como Amazonas e Madeira, poderão se reproduzir nos lagos e igarapés, sem medo de serem devorados pelos carnívoros dos lagos. 

E isso aumentará significativamente a produção das espécies dos curimatídeos”, explicou.

Questionado sobre a possibilidade das águas dos igarapés e lagos onde existem restos de carne de peixe em estado de putrefação estarem contaminadas e comprometerem a pesca nesses rios, como afirmaram alguns especialistas, Geraldo argumenta:

“Não existe essa possibilidade.  As bactérias existentes nessas águas são espécies limpadoras por excelência, ou seja, elas na realidade trabalham na redução dos detritos, e não comprometerão a qualidade dos outros peixes”, afirmou.

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