No final de outubro, aproveitando uma sexta-feira de folga, resolvemos fazer uma pescaria de Tucunarés em Panorama, distante 680 km de São Paulo, nas margens do rio Paraná, que agora, represado, forma o lago de Porto Primavera, o segundo maior do mundo.

Saindo de São Paulo às 5:00h da manhã, seguimos por boas estradas, parando para abastecer e lanchar e à 1:00h da tarde, que alegria, chegamos a Panorama e avistamos a linda represa e o belo parque construído pela CESP como forma de compensação pelos prejuízos causados pelo alagamento.

Seguimos para o Paranoá Clube Hotel, onde fomos muito bem recebidos pelo proprietário, o Sr. Nilton, que está sempre cuidando para que tudo esteje sempre em ordem, num ambiente familiar, com uma ótima comida e piloteiros bem preparados. O Hotel tem até piscina aquecida com toboágua onde se pode relaxar depois de um dia de pescaria.

   

Depois de almoçarmos, falamos com o Marcos, o piloteiro, que já estava nos esperando e fomos para o pesqueiro do hotel onde fica a rampa dos barcos para começarmos a pescaria.

Estava um dia quente com muito sol, mas não chegamos nem a por o barco na água e avistamos nuvens negras se aproximando rapidamente. Que tristeza! O piloteiro aconselhou não sair, pois o vento forte e as ondas são muito perigosos no meio de uma represa daquele tamanho. Não demorou nem quinze minutos e desabou um tremendo temporal. O vento foi tão forte que os jornais regionais do dia seguinte anunciaram que várias casas foram destelhadas e árvores derrubadas. Mas depois de uns quarenta minutos, que alegria, o sol voltou a brilhar e o vento parou totalmente, fazendo a represa parecer uma mesa de bilhar de tão lisa.

Vista do Parque da Cidade

Enquanto esperávamos o piloteiro arrumar o barco, vimos o vigia do local, que estava pescando numa plataforma flutuante, fisgar uma raia na vara de mão. Ele aproveitou para contar a história de um camarada que levou uma ferroada de raia na perna. O ferimento infeccionou, necrosou e, que tristeza, a perna teve que ser amputada. O vigia nem se arriscou a tirar a raia do anzol, cortou a linha.

Finalmente estávamos a caminho do ponto de pesca, um lugar muito bonito, chamado labirinto, que alegria. Mas quando chegamos no ponto, que tristeza, já havia um barco lá. E a tristeza foi muito maior quando vimos que eram pescadores profissionais, armando uma imensa rede. Segundo o que dizem, os tucunarés não são pegos nas redes pois saltam por cima delas. Mas esses pescadores descobriram um jeito de não deixarem os tucunarés escaparem. Eles armam as redes bem próximas às margens, onde há aguapés, assim os tucunarés que estão em baixo deles não podem pular e acabam entrando na rede.

Marcos, o piloteiro, contou que quinze dias antes, a fiscalização prendeu uma turma que chegava a tirar do lago uma tonelada de tucunarés por dia, pescando de arpão à noite, seguindo de barco pelas margens e iluminando os peixes com farol de milha. Pagaram fiança de R$ 500,00 cada um e sumiram. Que tristeza!

Seguimos mais para adiante e ai nossa grande alegria, o primeiro bote de um tucunaré amarelo que, com muita luta, foi trazido até o barco e solto depois (somos adeptos do pesque e solte como forma de preservar o peixe e podermos pescar ainda muitos anos com sucesso). Mais alguns lances e outro tucunaré abocanhou a isca artificial. O resto da tarde foi só alegria, além de vários tucunarés, também bateram nas iscas artificiais algumas traíras e muitas piranhas.

Dormimos cedo, mas logo acordei com o barulho da tempestade. Choveu forte a noite inteira e eu pensei: ainda bem, assim pela manhã já terá acabado. Mas que tristeza! Amanheceu chovendo, fraco, mas chovendo. Como não ventava forte, fomos pescar assim mesmo, pois como diz meu pai: é melhor um dia de chuva pescando do que um dia de sol trabalhando.

Voltamos ao ponto do dia anterior, mas como era sábado, já havia três barcos no local e pelo que vimos não eram pescadores esportivos. Estavam pescando com lambaris vivos e não perdoavam nada.

Vimos um cardume de pequenos tucunarés rebojando na margem oposta, mas um dos barcos foi mais rápido que nós e chegou antes. Fizeram uma limpeza, sem respeitar os tamanhos mínimos de captura. Que tristeza!

Mudamos de lugar e continuamos a pescaria com os tucunarés amarelos batendo.

À tarde, vimos um barco se aproximar e uma cena ainda não muito popular em nossas represas mas de uma grande poética nos movimentos: uma dupla de pescadores com fly. Eles iam navegando pelas margens numa interação entre o pescador e a natureza, fazendo arremessos certeiros. De repente uma fisgada e lá vem um tucunaré amarelo. Eles tiram o peixe da água, pesam, tiram duas fotos e o recolocam novamente no seu meio. Que alegria! Mais alguns lances e outro tucunaré, mais fotos e voltar para a água.

Cerca de uma hora depois que os dois pescadores foram embora, aparece ali a turma do leva-tudo. Param perto do ponto onde foram pego os dois tucunarés e não demorou muito fisgaram o primeiro. Mais um pouco e fisgaram o segundo. Agora vão virar filé. Que tristeza!

Na volta para o pesqueiro do hotel, nossa maior alegria: Vimos um garoto que voltava com o pai da pescaria sem nenhum peixe e perguntamos a ele se não haviam pegado nada. O garoto respondeu: “Pegamos muitos sim. Meu pai queria trazer os grandes mas eu falei pra ele soltar todos.”

Que Alegria!!!

Sr. Nilton e o autor
no restaurante do Paranoá Clube Hotel.
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