Atendendo a muitos e-mails recebidos, falarei sobre uma grande dúvida existente na maioria dos pensamentos dos pescadores que vão para o mar pela primeira vez, levando em conta uma pescaria simples, em barco de médio porte (8 a 12 pessoas) no cascalho, local com profundidade em média de 8 a 12 metros com fundo de areia:

- O que devo levar?

Para não complicar ainda mais, vamos por partes:


ROUPAS:

Como estas pescarias são geralmente feitas no verão, levem roupas leves, fáceis de carregar e que não impeçam a transpiração. No caso do inverno, no mar por não existir abrigo natural, leve muitos agasalhos, pois o frio lá fora e de doer nos ossos. Independente da época leve uma muda de roupa sobressalente, já que se molhar quando embarcado é muito fácil e assim terá como se trocar.

Se você é uma pessoa de pele clara e fácil de se queimar, use camisas de mangas compridas, chapéu ou boné, calça comprida e um bom protetor solar, pois existe a insolação direta do sol e o reflexo na água, aumentando assim todo o poder de queimadura existente em um dia quente. Leve um bom protetor solar e não esqueça de depois de usar lavar bem as mãos para não passar o odor do protetor para a isca, senão acabou a pescaria.

Nunca esqueça uma capa de chuva, o tempo muda repentinamente e você tem que estar preparado. Também tem o fator vento, que pode deixar qualquer um maluco e o plástico da capa dará uma ajuda considerável mesmo não estando chovendo, apenas tirando a friagem que uma ventania pode causar.

Sobre o que calçar eu aconselho um tênis bem confortável, pois evita quedas no barco e por ser fechado preteje de queimaduras no peito do pé, ainda mais dos que usam sapatos a semana toda (paulista) e tem o peito do pé bem branquinho.

EQUIPAMENTOS:

Se você pesca com duas varas, leve sempre uma de reserva. Já vi muitos pescadores ficarem sem fazer nada depois que o peixe quebrou sua vara ou levou tudo pra dentro da água de uma só vez.

Com relação ao uso de molinete ou carretilha, os dois podem ser usados depende do gosto do pescador, já que praticamente não existem arremessos, apenas deixamos a linha ir até o fundo.

Sobre as varas, usamos uma com carga até 25 libras com linha de 0,30 a 0,35 mm e anzol 1/0 a 3/0 para peixes menores como Espada, Corvina, Betara e outros e uma que fica na espera com carga de até 50 libras e linha 0,40 a 0,55 mm com anzol 4/0 a 7/0 para peixes maiores, como o Cação, Dourado, Arraia e outros.

Os anzóis citados são os mais comuns do tipo 4330, mas podem usar os de outra marca também, sempre respeitando os tamanhos e ainda usar na espera a garateia, que dará mais certeza na fisgada do peixe. Mas fique esperto, na maioria das vezes o peixe grande acaba caindo na vara menor e ai é que as coisas ficam boas.

Com relação ao comprimento das varas, normalmente usamos de 2 a 3 metros, já que acima disto na hora da fisgada do peixe, devido ele estar abaixo do barco e a vara praticamente trabalhando na horizontal, o efeito alavanca será enorme e um simples peixe de 200 gramas irá dar a impressão que estamos puxando um de 5 quilos.

Com relação a puçá e bicheiro, normalmente estas embarcações possuem e um marinheiro estará sempre a postos a ajudar o principiante na hora de embarcar um belo exemplar, mas um bom alicate é fundamental em toda tralha, ainda melhor se for um dos que além de segurar o bicho ainda pesam o bruto para não dizer que foi mentira.

Caso apoitem sobre um parcel, tenham sempre na caixa das tralhas um rolo de linha de nylon bem grossa, 1,0 a 1,2 mm para se colocar bem no fundo e arriscar pegar uma bela Garoupa.

Os chumbos mais usados são os redondos com furo central ou tipo oliva, pois ficam soltos na linha e quanto ao peso, levem de vários tamanhos, já que tudo vai depender do quanto a maré estiver correndo para assim se saber que peso usar para deixar a isca no fundo, sem que a mesma corra para os lados.
Giradores são sempre bem-vindos, pois os peixes tem muito espaço para nadar e assim a linha não irá se contorcer toda.

Levem rabichos feitos com cabos de aço, em média de 40 libras, pois a maioria dos peixes possuem dentes afiados e vocês não irão querer perder um belo exemplar simplesmente por ele ter cortado a tua linha e escapado. Como coloca-los: linha, chumbo solto, girador, cabo de aço, snap e anzol (pode-se comprar pronto com girador, cabo e snap). Não esquecer da isca.

COMIDA:

Eu aconselho bolachas, pão com queijo e frutas, nada que se estrague com facilidade e que contenha condimentos, pois além do risco de se ingerir algo estragado (deteriorado pelo calor), certamente você irá enjoar e acabar com a sua pescaria.

No caso de enjôo, não adianta fazer muita coisa, aconselho deitar no centro do barco, local onde menos balança e ficar o mais calmo possível até o mal estar passar.

Sobre bebidas, álcool não combina com pesca embarcada, mas se for o caso opte pela cerveja, que é mais leve, com menor teor alcoólico, diferente das bebidas destiladas que com o balançar do barco te daria uma sensação quadriplicada de seu estado etílico, ou seja, uma dose pareceria uma garrafa inteira. Ai está o perigo de se cair na água, somando-se o balançar do barco com o seu balançar e quando os dois acontecerem na mesma hora, o final é “água”.

Ai você fala: - É só voltar pro barco.

E eu respondo: - Tente puxar um bêbado em um barco balançando e com uma borda de quase um metro e meio de altura, não é mole não.

Água é fundamental para se hidratar e evitar uma possível desidratação. Realmente na hora da sede é a melhor saída.

Algumas embarcações proporcionam aos seus pescadores um churrasco feito com um dos exemplares capturados durante o dia ou uma bela picanha que um mais esperto levou. Mas na pior das hipóteses, resta se fazer uma sardinhada (sobra de isca).

ISCA:

Normalmente as embarcações já a fornecem junto com o valor da pescaria, mas caso contrário, leve sempre muita sardinha fresca (mínimo de 5 kg por pescador), um pouco de camarão (1 kg) e se for pescaria noturna leve um pouco de lula, mas veja se esta bem fresca, senão só ira é levar a lula pra passear.

A mais usada é a sardinha inteira na espera ou em tiras enroladas no anzol e o camarão para as Corvinas que são esfomeadas. Lembre-se que não adianta colocar um camarão só, elas adoram é anzol repleto, bem gordo.

DIVERSOS:

  • Caixa com medicamentos que estão habituados a usar para dor de cabeça, enjôo, queimaduras, cortes e arranhões. Lá não têm farmácia aberta 24 horas.
  • Celular, apenas para emergência e pra “Dona da Pensão” poder confirmar que você realmente está pescando.
  • Uma boa faca para limpar um possível peixe, cortar uma linha e para fazer aquela tira de sardinha para colocar no anzol.
  • Lanterna, caso a pescaria seja à noite. Existem uns modelos novos que colocamos na cabeça, deixando as mãos totalmente livres. Nunca esquecer de levar as pilhas.
  • Máquina fotográfica para eternizar a captura de um grande exemplar, mesmo que este tenha sido pego por um outro companheiro de pescaria. Como foto não fala, vale a tua palavra. Uma boa dica é fotografar o peixe na horizontal, segurando-o com as duas mãos e com os braços bem esticados, pois devido à perspectiva e a distância do teu corpo, na foto eles parecem bem maior que a realidade.
  • Um isopor grande para poder levar os peixes já limpos para casa ou poder colocar os adquiridos na peixaria próxima ao local onde irão desembarcar.
  • Verificar se a embarcação tem salva-vidas suficientes para todos, se o mestre é habilitado para a embarcação, se possuem sonda para localização de cardumes, se usam GPS para uma navegação segura e o principal, se o barco tem WC.
  • Confirmar o horário de retorno para que a pessoa escalada como motorista possa vir buscá-los no final da brincadeira.
  • Ver com antecedência o mapa do local onde a embarcação ira sair, para não se atrasar e assim acabar com a pescaria dos outros que chagaram na hora certa e não querem perder a melhor hora do dia.
  • Levar muito bem guardados no fundo da caixa de pesca todos os cartões de crédito e talões de cheques que possua, pois um dia inteiro longe de casa é um perigo quando os deixamos ao alcance de “outras” pessoas.
  • Levar um bom companheiro e amigo para se vingar da última pescaria, aquela que você não pegou nada, ou ainda melhor, para poder voltar chamando-o de “sapateiro”.

Para finalizar, tenham sempre em mente o companheirismo, sem brincadeiras ofensivas e sempre respeitando todos dentro da embarcação. Assim passarão um belo dia e terão muitas recordações para contar aos filhos, netos e ao chefe.

Quando alguém disser que você esta mentindo sobre o tamanho do peixe que pegou, diga que não é mentira, mas é que no barco não tem como medir o bicho e devido o balanço provocado, nosso cérebro fica meio desnorteado e capaz de confundir as medidas que nossa emoção vê, com as reais.

Só que nosso lado emocional é mais forte e acaba gravando o tamanho que achamos certo para o nosso bem estar e para poder contar como um belo “CAUSO’.
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